quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

A mídia debate as novas mídias


"Estamos hoje frente a um esgotamento de um modelo de exibição de imagens". A declaração é do jornalista Nelson Hoineff, e foi veiculada agora a pouco na versão televisionada do Observatório da Imprensa, que passa na TV Cultura, toda terça por volta de dez e meia da noite, horário de Belém. Infelizmente cheguei a tempo de ver apenas o último bloco do programa que hoje trazia um tema particularmente interessante para nós, blogueiros e usuários da web: o papel dos sites na democratização da informação. O título do debate foi de feliz escolha, contrastando com o tom apocalíptico de seu mediador, o jornalista Alberto Dines (que pelo menos ideologicamente parece não ter saído do tempo da Olivetti). Quem acompanha os seus artigos no site do Observatório pode constatar a visão corporativista e protecionista de Dines em relação à imprensa tradicional. Sempre mais preocupado em sapecar o presidente Lula (o que também deve ser feito) do que em "observar a imprensa", propriamente. O site é uma boa dica de leitura, em todos os sentidos.

Pois bem, mal sintonizei o canal 2 e lá estava o velho Dines levantando a mais importante questão do advento da web, em sua opinião: "a universalização dos jornalistas com esse mundo de blogs faz com que a função essencial a que o jornalista se propõe enfraqueça, e com isso a responsabilidade pelo que é publicado". Desculpem se a frase estiver descontextualizada, mas pelo que eu conheço do Dines aposto que é isso mesmo que ele quis dizer. Está mais preocupado com o seu emprego de jornalista do que com a nova lógica da comunicação. Sei de pouquíssimos blogueiros que se intitulam jornalistas. De onde ele tirou essa conversa de universalização? E que função essencial é essa que sai enfraquecida? E por último, a irresponsabilidade pelo que é publicado seria um privilégio dos blogueiros? Sobre a veracidade das informações, acredito que no campo moral alguns blogueiros tenham uma desculpa: despreparo e desinformação. Quanto aos jornalistas, geralmente publicam mentiras em jornais e revistas por absoluta falta de ética (ou de personalidade para questionar o editor).

No bloco que acompanhei, a única coisa que ouvi de Dines foi essa frase cortada. Vez ou outra a câmera focalizava nele e captava sua expressão de descontraída atenção aos debatedores. O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), relator do projeto de lei que criou o processo judicial virtual, informa as comodidades do serviço: "o internauta pode fazer uma petição no seu escritório e automaticamente ir para o fórum". Antônio Tavares, presidente do Comitê Gestor de Internet no Brasil, que já começou errado ao falar em legislação para "limitar a internet" teve sua imaginação atiçada pelo que ouvia do colega de bancada: "Você pode ouvir um presidiário na cela. É fantástico para a segurança da sociedade". Tavares disse que o comitê está criando um código de conduta para administrar a web, que pretende reunir o máximo possível de setores sociais. Coisa vaga isso... é esperar pra ver.

O outro integrante do debate era o colunista de informática de O Globo Carlos Alberto Teixeira. Pelo que observei, deu opiniões mais realistas do que legalistas. Acompanhe: "O Youtube é uma idéia de sucesso, que já vem sendo copiada. A tendência é explodir. Ainda não temos noção de como vai ser importante essa explosão da webTV para o futuro das comunicações. (...) No momento em que o usuário tiver a consciência de como fazer um vídeo, postar na internet, ele terá um espaço que não tem nos meios de comunicação tradicionais".

São fatos, e como milhões de pessoas, estamos nos valendo dessa nova conjuntura. Sim, também me preocupo com o futuro da classe jornalística! (afinal, daqui a um ano, espero integrá-la). E também acho que a lei deve estar atenta à Internet, assim como a tudo que acontece no mundo (olha o aquecimento global aí... pauta da semana passada na imprensa, já tá esfriando). Mas a Internet está longe de ser uma ameaça ao mundo, como o crescimento industrial ilimitado. Muito pelo contrário.

P.S.: se tiver oportunidade, apareça no auditório do Centro de Letras e Artes da UFPA nesta quinta (15/02), e participe de um debate com alguns "militantes da web" de Belém. O tema em questão será "Cultura digital: arte, comunicação e descontrole". Estarão presentes o músico Pio Lobato, que nos mostrará um pouco de seu som digital. O blogueiro e jornalista Juvêncio Arruda, do Quinta Emenda e Giseli Vasconcelos, do Coletivo Aparelho. O evento encerra as atividades deste semestre no Laboratório de Jornalismo Digital e Novas Mídias, ministrado pelo professor Lázaro Magalhães. A programação começa às nove da manhã!


P.S.2: se a sua conexão não for Lentox como a minha, assista ao compacto da semana e de programas anteriores do OI na TV.

P.S.3: para quem quiser saber mais do que vem sendo falado sobre a enxurrada de besteiras na web, leia essa detonação da Wikipedia pelo jornalista Luiz Weis.


Alan Araguaia

4 comentários:

Fabíola disse...

Alan, no primeiro parágrafo imprensa está escrito com dois "Pês".
A seção "Outros Versus" é somente para blogs, então como n tinha uma seção específica, criei o "Versando a mídia".
Os parágrafos do texto estão longos demais, texto para web devem ser enxutos com parágrafos curtos. Os leitores n têm muita paciência.
Como o nosso blog é sobre o Pará, faça algum gancho do assunto para cá.
Quando for escrever, fique atento para deixar um espaço em branco entre parágrafos, facilita a visualização para leitura.
Para criar o hiperlink, selecione a palavra que você quer que tenha link (exemplo: Observatório da Imprensa); deixe selecionado e clique em um botão na barra de ferramentas da janela "escrever postagem" que se chama criar link (é um botão verde que tem dois círculos brancos parecidos com uma algema). Aí abrirá uma janela pra digitar o link e, após digitar clique ok e seu link estará incluso.

Anônimo disse...

Fiz 2 correções. O resto fica pra vc. (já corrigi a palavra imprensa, os espaços entre parágrafos e criei a seção "Versando a mídia").

Fabíola

Laboratório Jornalismo Digital UFPA disse...

É isso aí Alan! Muito bom o texto mesmo - e não é porque o nosso evento está relacionado. É porque é mesmo pertinente. Gostei do "mídia debate as novas mídias". Abs. Lázaro

Anônimo disse...

intiresno muito, obrigado