sábado, 31 de março de 2007

Passional

Lendo essa poética de desconstrução do texto abaixo, fiquei pensando nessas correias que atam o imaginário do personagem, nessas suas maneiras de problematizar a realidade com sutileza.

Não quero invadir teus espaços, mas como costuras tua memória? Eu acho que to vivendo uma nostalgia da minha vida, construindo uma outra narrativa pras histórias que eu não passei.

Às vezes eu me pego mesmo querendo cair no delicado abismo da vida prosaica, mas sempre existem os outros. Incansáveis. Pelejadores. Internos na percepção, na sensitividade, na forja do pensamento e no andar das calçadas.

Fotografias não contam histórias, nós que mentimos muito.
Ainda caminhando pra lugar nenhum.

Hoje eu queria estar fora de mim.
E isso não faz eu me sentir melhor.

Fabrício Mattos

7 comentários:

Alan Araguaia disse...

A minha memória é uma colcha de retalhos com muitos rasgos

Controversus disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Controversus disse...

Fotografia não conta história? Fotografia é história.
Bastante pertinente o uso da linguagem pessoal e coloquial que usou, só tem um erro de concordância no primeiro parágrafo, na última linha "nessas sua maneira".

Fabíola Corrêa

Controversus disse...

bom... eu não gosto muito de me explicar, mas o que eu quis dizer foi que as fotografias não são retratos fiéis da realidade, muito menos contam histórias.

Por exemplo: quando você analisa as suas recordações em fotografias você vai lê-las de outros lugares, de onde você está existindo agora. Costurá a história sob um olhar diferenciado, construirá narrativas "mentirosas", nesse sentido...

Tomemos o exemplo da psicanálise. Ela não "cura" niguém, se baseia num discurso proferido pelo receptor, porém previamente elaborado pelo emissor (transferência e contra-transferência). Ambos são projeções.
Um dos principais papéis da psicanálise é a elaboração de uma narrativa mais coerente com o que seria uma "auto-identidade".

Acho que estamos buscando outros lugares de confessionário na sociedade contemporânea. O segredo está sendo diluído...

Controversus disse...

Sua idéia de ver as fotografias como narrativas "mentirosas" é uma teoria sua ou uma idéia defendida por alguém?
Assim como a fotografia, qualquer realidade pode ser uma narrativa mentirosa, pois depende de quem a presencia, de como ela vê esta narrativa no momento que ocorre (mesmo ela dividindo os fatos com outras pessoas), como a descreve. Tudo é influenciado pelos filtros culturais de cada um.
A verdade, a realidade, não é mais verdade quando contada, a realidade só é realidade quando acontece e assim que acontece. Por isso não exste parcialidade e jornalismo verdade.
Sim, nossa realidade se dilui, tudo são fragmentos, por isso a fotografia é mais um fragmento dessa realidade. Ela não é mentirosa, ela é um olhar do fotógrafo sobre o fato acontecido, e suas interpretações variam de pessoa para pessoa, pois cada um pensa diferente devido experiências e vivências únicas.
A fotografia não é mentirosa, somos nós, seres humanos, que olhamos para cada fato de maneira diferente um dos outros, assim como um livro ou um filme pode ter uma interpretação diferente de cada pessoa.
Comunicação, seja qual for o seu meio, fotografia, cinema, livro, jornal, etc., é um conjunto de diferentes interpretações de uma projeção da realidade, e não mentiras.

Fabíola Corrêa

Anônimo disse...

"Fotografias não contam histórias, (nós) que mentimos muito.
Ainda caminhando pra lugar nenhum."

Enfim, caminhamos para lugar nenhum.

Fabrício Mattos

Controversus disse...

por que afirmas isso? De onde tirou essa teoria?

Fabíola